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Dança das cadeiras no setor automotivo: as marcas com melhores e piores resultados em 2023

Neste primeiro quadrimestre o setor registra crescimento nas vendas de quase 16%: foram 588 mil carros vendidos contra 508 mil no mesmo período de 2022
Por  Raphael Galante
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Fortune Gems ou de seus controladores

Caros leitores, digníssimas leitoras: na dinâmica do setor automotivo, o que é sempre interessante notarmos é quem está indo bem e aqueles que estão indo mal…

Neste primeiro quadrimestre o setor registra crescimento nas vendas de quase 16%. Foram 588 mil carros vendidos contra 508 mil sobre o primeiro quadrimestre do ano passado.

Apesar deste crescimento, devemos sempre lembrar (e reforçar) que essa não é a dinâmica “real” do mercado. A base comparativa do ano passado era muito franca! O negócio começa a ficar realmente mais sério a partir de junho. E é no mês que vem que vamos ver a onça beber água!

Tanto que, apesar das inúmeras fábricas terem paralisado parte da sua produção, os estoques estão altíssimos, com volume suficiente sempre para mais de 30 dias vida.

Enfim… c’est la vie!

Mas, voltemos ao foco do nosso texto!

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Se o mercado – na média – está crescendo 16% e, como sabemos: toda média é burra – logo temos marcas que estão voando e outras que estão ancoradas.

Neste cenário, vamos fazer o nosso TOP 5 com os melhores e piores resultados deste ano:

TOP 5 POSITIVO:

  1. Eis que liderando o nosso TOP 5 temos ela, a septuagenária VW. Sim… aquela que já foi o primeiro amor de grande parte dos consumidores brasileiros é a marca que mais vem evoluindo neste ano. Com mais de 81 mil carros vendidos, possui um share de 13,8% (3ª marca mais vendida), bem diferente do share do ano passado quando, a marca registrou 9,2% (5ª marca mais vendida) com quase 47 mil carros vendidos. Na verdade, o pessoal da VW sofreu pra chuchu no ano passado com a falta de peças e estratégia questionável. Ou seja, o pessoal do chucrute pesou na mão na hora de fazer/negociar os seus pedidos com os fornecedores, e aí o nabo veio forte! Mas a marca não tem 70 anos de Brasil à toa… ela, assim como a fênix, voltou das cinzas!
  2. Trazendo o gélido frio do Norte, os vikings da Volvo aparecem na nossa segunda posição, com crescimento de 59% sobre as vendas do ano passado. Os vikings (um pouco diferente do povo do chucrute) também tiveram problemas de falta de peças. Mas o ponto aqui da Volvo foi que a marca adotou o conceito de eletrificação dos seus produtos, e a demanda por esse tipo de produto (globalmente) no ano passado foi maior do que qualquer previsão. A falta de produtos da Volvo no Brasil, na nossa visão, teve mais a ver com uma demanda extremante aquecida (globalmente) para esse tipo de produto do que uma falta de insumos pelo mal planejamento.
  3. Na terceira colocação, temos a ressurreição da Citröen. Com crescimento de 45% nas vendas, a marca se reinventou com a chegada do novo C3. Antes a marca tinha apenas um produto (de passeio) para os seus consumidores, que era o C4 Cactus. A volta do filho pródigo (C3) ajudou na recuperação da marca. O problema de grande parte das marcas francesas é a sua letargia para se adequar a um mercado sempre mais dinâmico. Como o pessoal da Stellantis (entenda-se os carcamos da FIAT) tem mais jogo de cintura e poder de decisão por aqui em terras tupiniquins, isso também explica o bom resultado da marca francesa.
  4. E, para grande surpresa de todos, na quarta posição temos a FORD, com crescimento de 41% nas vendas. O pessoal do oval azul, que era a eterna quarta marca do mercado brasileiro, decidiu sair do armário e se assumir! Não adianta ficar insistindo em segmentos onde deixou de ter know-how sobre o assunto, além da briga ferrenha (os chamados carros de entrada: lembram do “kazinho”?) – vou ser feliz com aquilo que faço de melhor: trabalhar no mercado de Picapes (médias-grandes) e SUV’s. Sabe aquele conceito de dar 2 passos para trás para dar 1 para frente? Então, foi isso! A Ford deu uns 10 passos para trás e agora está no conceito “step-babies”, ganhando dinheiro que não ganhava…
  5. Finalizando o nosso TOP 5, temos mais uma marca lá de Detroit. O pessoal da Chevrolet (GM) avançou 35% nas vendas neste quadrimestre, com quase 100 mil carros vendidos. A segunda marca que mais vende no Brasil teve um ganho de Share de dois pontos percentuais e meio. O problema da GM também foi a falta de componentes, assim como aconteceu com o pessoal da VW. Não foi tão sofrido quanto eles, além do que, a GM é (para nós) a marca que possui um dos melhores mix de vendas de produtos.

Menção honrosa: A RAM neste ano está “dando pau” em todo mundo, devido à chegada de novos produtos e ampliação da rede de concessionárias. O crescimento da marca é de quase 600%, saindo de aproximadamente 500 carros para 3,3 mil.

Já do lado inverso temos o:

TOP 5 NEGATIVO:

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  1. Liderando o nosso TOP 5 NEGATIVO, temos a CAOA-CHERY. Existe no setor automotivo um conceito de amor e ódio com a marca, ou seja, ela é a nossa GENI dependendo da situação-momento. Com retração nas vendas de 54%, a marca optou por descontinuar alguns produtos vendáveis, além de investir na eletrificação de seus motores. Hoje mais da metade dos carros vendidos pela marca é eletrificado, logo produtos mais caros, o que explica em grande parte a queda nas vendas (em unidades);
  2. Se a CITRÖEN aparece na terceira colocação do nosso TOP 5 POSITIVO, a sua irmã (Peugeot) aparece na segunda posição como a marca que mais caiu, com retração de 35%. Motivo? No ano passado, a Peugeot era a BFF da maioria das locadoras. Na real, como não tinha carro disponível no mercado, as locadoras chegaram mais firme com a Peugeot. Como o cenário virou, os estoques estão lá em cima, as locadoras estão indo às compras em outras marcas. Na Peugeot, as vendas para clientes “normais” estão com crescimento de 39%. Já para locadoras, a retração é na ordem de 79%, o que explica essa queda de 35%.
  3. Com a medalha de bronze, temos o pessoal da Mitsubishi com queda de 21%. Na real, a marca dos três diamantes só se mantém no mercado brasileiro devido ao trabalho Herculano que o Eduardo Souza Ramos fez com a marca ao longo das últimas décadas. Caso contrário, ela já teria morrido de morte matada ou morte morrida!

Na quarta e quinta posição (para surpresa geral) aparecem a Hyundai (-7,5%) e a Toyota (-0,4%). A explicação para ambas é a mesma: quando a VW e a GM estavam naufragando no ano passado, as duas aproveitaram e dividiram o espolio delas entre si. Com a volta “normal” das duas marcas tradicionais no mercado doméstico, era mais do que obvio que elas (Hyundai e Toyota) sofreriam neste começo de ano. Essa retração nas vendas doí? Lógico que doí! Mas, não é nada traumático, além de ser passageiro, para acontecer com quem é!

Raphael Galante Economista, atua no setor automotivo há mais de 20 anos e é sócio da Oikonomia Consultoria Automotiva

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