Fortune Gems

Conteúdo editorial apoiado por

Fortune Gems - “Big techs” batem expectativas no 2º trimestre e abrem espaço para ações continuarem subindo

Companhias não só apresentaram números melhores que o esperado como fizeram previsões mais fortes para os próximos trimestres

Mitchel Diniz

(Getty Images)

Publicidade

Analistas nivelaram por baixo as expectativas sobre os resultados das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos no segundo trimestre de 2023. E, por mais uma temporada, foram surpreendidos positivamente. Praticamente todas as big techs registraram lucros e receitas acima do esperado, dando motivos pare que suas ações, que dispararam de preço ao longo do ano, continuem subindo.

O índice Nasdaq, das empresas de tecnologia listadas em Wall Street, acumula alta de mais de 40% este ano e, no primeiro semestre, foram também as big techs que garantiram saldo positivo para S&P 500 e Dow Jones. Os ativos dessas companhias se valorizaram junto com o hype em torno da inteligência artificial e dos investimentos que vêm fazendo nessa tecnologia. Além disso, agradaram o investidor pela redução de custos que começaram a fazer ainda em 2022 e se estendeu até a primeira metade deste ano.

Sensíveis a juros altos e em meio a um ciclo de aperto monetário, as techs não só apresentaram números robustos no trimestre que passou, como também elevaram suas previsões para o restante do ano.

Treinamento Gratuito

Manual dos Dividendos

Descubra o passo a passo para viver de dividendos e ter uma renda mensal previsível, começando já nas próximas semanas

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Amazon espera crescimento de até 13% nas receitas

É o caso da Amazon (AMZO34), que divulgou seus resultados na última quinta-feira (3) e fez projeções ambiciosas de crescimento de receita no terceiro trimestre. De acordo com a companhia, seu faturamente total no período deve ficar entre US$ 138 bilhões e US$ 143 bilhões (de 9% a 13% maior que o registrado um ano antes).

A Amazon registrou lucro líquido de US$ 6,7 bilhões no segundo trimestre de 2023. Assim, a gigante de tecnologia e e-commerce conseguiu reverter um prejuízo de US$ 2 bilhões registrado um ano antes.

As vendas on-line da companhia cresceram mais do que o previsto, em um trimestre que testou a força da economia americana diante de juros altos. O serviço de computação em nuvem da companhia, o AWS, cresceu 12%, acima das estimativas da própria companhia, com receita de US$ 22,1 bilhões e indicando uma estabilização nas tendências.

“O excelente segundo trimestre da Amazon nos mostrou que o pior já passou”, diz o time de tecnologia do Itaú BBA, em análise assinada por Thiago Kapulskis, Cristian Faria e Gabriela Moraes. “Após um longo período, finalmente terminamos com nossas revisões para baixa para a companhia.”

O time destaca ainda o crescimento da rentabilidade operacional da Amazon e revisou para cima as previsões para o próximo ano. Após o resultado, o BBA adotou a companhia como principal escolha na cobertura de tecnologia posto que, semanas antes, pertencia à Meta.

Dona do Facebook também fez projeções ambiciosas de crescimento

A Meta (M1TA34) apresentou crescimento de receita pelo segundo trimestre consecutivo. A cifra de US$ 32 bilhões superou em 11% a registrada um ano antes, o primeiro crescimento de dois dígitos desde o fim de 2021. A maior parte desse volume é de receitas com anúncios no Facebook e Instagram.

“As medidas de controle de gastos parecem surtir efeito, com os custos aumentando menos que a receitas”, observa a equipe de análise da Avenue. Os gastos com pessoal, por exemplo, foram reduzidos em 14%.

“Vínhamos dizendo que poderíamos ver Meta voltando a ter patamar de crescimento de 20% em algum momento, mas temos que admitir que não esperávamos que isso fosse acontecer tão rápido”, diz análise do Itaú BBA.

A receita média por usuário da Meta está melhorando em todas regiões, uma tendência que teve início no primeiro trimestre, e provavelmente isso é resultado da monetização do Reels, a função de vídeos curtos do Instagram. “A Meta está fazendo progressos na monetização do Reels, com mais de 75% dos anunciantes utilizando ads nessa ferramenta”, afirma Kapulskis.

A Meta não só apresentou números acima do esperado, como forneceu um guidance positivo para sua receita no terceiro trimestre deste ano, que deve ficar entre US$ 32 bilhões e US$ 34,5 bilhões (um crescimento entre 15% e 24%). Os volumes são maiores que os US$ 31,3 bilhões projetados até então pelo mercado.

“Além disso, a empresa reduziu suas estimativas de investimentos, outro ponto de atenção do mercado que interpretava que a empresa vinha investindo muito em projetos que não apresentavam perspectivas concretas de receitas”, diz a análise da Avenue.

capex da companhia foi revisado para baixo, da faixa de US$ 30 bilhões a US$ 33 bilhões para US$ 27-30 bilhões.

O Itaú BBA avalia que investimentos em inteligência artificial são bem vindos, mas alocação em realidade virtual ou aumentada não são. “O fato de que as perdas da Reality Labs vão aumentar de forma significativa em 2024 não foi bem recebido”, diz a análise. O BBA vê essas perdas como os maiores riscos para a Meta no próximo trimestre.

Os gastos com o metaverso penalizaram duramente os papéis da empresa de Mark Zuckerberg no ano passado. Agora em 2023, a Meta se tornou uma das queridinhas em Wall Street, ao focar em cortar custos e na utilização de inteligência artificial para engajar e medir o desempenho de seus ads.

Alphabet se mostrou menos dependente de anúncios

As receitas com anúncios da Alphabet (GOGL34), empresa mãe do Google, cresceram 7% em bases anuais, alcançando US$ 74,6 bilhões, acima das estimativas do mercado. O lucro líquido da companhia foi de US$ 18,4 bilhões no período, também superando a média das projeções dos analistas.

Junior Borneli, fundador do StartSe, avalia que a Alphabet tem caminhado para diminuir a dependência da receita com publicidade com o crescimento do faturamento no negócio de cloud computing. “Este trimestre, 78% da receita do Google veio de anúncios. Este número já foi maior no passado e por isso tão importante que a divisão de nuvem entregue mais resultados”, afirma.

O Google Cloud somou US$ 8,1 bilhões em receitas no período, com um crescimento de 28%, superando as expectativas do mercado que estava cético, por conta do atual ambiente de cautela. A divisão entregou a primeira margem operacional positiva nos três primeiros meses deste ano. No segundo trimestre, teve lucro antes de juros e impostos (Ebit) de US$ 395 milhões – um a no antes, essa cifra estava negativa em US$ 590 milhões. A expectativa é que a rentabilidade siga melhorando.

Para Richard Camargo, analista da Empiricus Research, os resultados com ads provenientes da ferramenta de buscas do Google seguem tão fortes quanto antes, com crescimento de 5% no trimestre, totalizando US$ 42,6 bilhões. “No mercado, emergiu a narrativa de que o Bing seria um detrator importante dos resultados do Google”, lembra Camargo, citando os upgrades do mecanismo de buscas da Microsoft para incorporar a função do ChatGPT.

As receitas com anúncios no Youtube voltaram a crescer após três trimestres consecutivos de queda. Avançaram mais de 4%, para US$ 7,6 bilhões, crescendo em ritmo maior que o esperado, diante de um crescimento de audiência da plataforma e do recurso de vídeos curtos Shorts.

“O que o resultado do Youtube nos sugere é que as empresas estão, assim como o mercado, considerando cada vez mais remota a possibilidade de uma recessão e voltando a investir”, avalia Camargo.

Os administradores da companhia avisaram que esperam crescimento nas despesas este ano e em 2024 para iniciativas de inteligência artificial. Os analistas do Itaú BBA afirmam que há uma urgência na companhia em direcionar o time de infraestrutura e nuvem a lidar com os desafios dessa tecnologia.

“Mas também, curiosamente, a companhia reiterou que seu modelo de anúncios é o caminho a seguir em um mundo dominado pela IA,  assegurando que não vamos ver uma virada brusca no modelo em seu modelo de negócios”, diz a análise do BBA.

Microsoft: resultados difíceis de superar

O entusiasmo do BBA com a Microsoft (MSFT34), por outro lado, diminuiu após a divulgação dos resultados da companhia no quarto trimestre fiscal de 2023, encerrado no último mês de junho. Ainda que a empresa tenha reportado seus melhores resultados da história. A companhia registrou lucro líquido de US$ 20,1 bilhões no período, 20% a mais do que um ano antes. Informou ainda ter obtido receita de US$ 56,2 bilhões no trimestre encerrado em junho, um crescimento de 8%. Nos dois casos, superou as expectativas do mercado.

Mas o que deixou o BBA cauteloso foi o fato de que, pela primeira vem três anos, os números não deixaram muito claro sobre o que esperar para a segunda metade do ano. Os analistas estranharam a falta de um guidance formal de receitas para o próximo ano fiscal e avalia que a administração não transpareceu a confiança que costuma apresentar nas teleconferências com analistas – sobretudo quando questionados a respeito de seu serviço de cloud computing, o Azure, e inteligência artificial.

A companhia afirma que espera que o crescimento de receitas da Azure se mantenha entre 25% e 26%  no atual trimestre e previu ainda aumentos de gastos sequências no próximo ano fiscal com infraestrutura para inteligência artifical.

Para os analistas, a Microsoft tem pouco espaço para erros, dado os múltiplos elevados com os quais suas ações tem sido negociadas. “Ficamos com a sensação de de que as expectativas vão ser difíceis de ser superadas”, diz o time de tecnologia. Contudo, a casa deu o benefício da dúvida à Microsoft, levando em conta a habilidade da gestão de surpreender positivamente. O BBA manteve recomendação outperform para as ações da companhia.

Apple: queda na venda de iPhones compensada por receitas com serviços

A Apple (AAPL34) foi a última das big techsa divulgar resultados na atual temporada de balanços. A companhia reportou lucro líquido de US$ 19,881 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2023, encerrado no último mês de junho. A cifra é 2,25% maior que a registrada um ano antes.

As receitas totais da Apple no período recuaram 1,4% na comparação anual, para US$ 81,8 bilhões, porém ficou levemente acima do esperado.

As vendas do iPhone registraram uma queda de 2% em bases anuais, para US$ 39,67 bilhões, ficando abaixo das expectativas. Por outro lado, as receitas com serviços da companhia, como a Apple TV+, cresceram 8% entre um ano e outro, atingindo US$ 21,21 bilhões. A companhia informou que já possuiu 1 bilhão de assinantes em suas plataformas.

“Podemos dizer que, até este momento, a Apple era último pilar firme do segmento mobile a não sofrer com a desaceleração geral do setor desde 2022. [] Essa desaceleração agora chega também ao iPhone, cujas vendas se mantiveram resilientes nos últimos trimestres”, observa Camargo, da Empiricus.

Mas, para o analista, isso não deve preocupar o investidor, já que a Apple “ainda é de longe o player mais resiliente do setor”.

A companhia destacou que as vendas na China totalizaram US$ 15,75 bilhões, um crescimento de quase 8% versus 2022. “Sob uma perspectiva geográfica, a Europa voltou a crescer e até que enfim encontramos uma empresa cujos resultados permitem falar em reabertura chinesa sob níveis interessantes”, afirma Camargo.

Já na avaliação do Itaú BBA, a Apple mostrou números pouco inspiradores, mas com comentários positivos sobre demanda. O guidance informal para o atual trimestre também não foi muito empolgando, na visão dos analistas, apontando para uma aceleração de venda de iPhones, mas de nova desaceleração para Mac e Ipad.

Contudo, o BBA vê um “potencial super ciclo iminente para PCs com o uso de inteligência artificial nos dispositivos”, o que pode impulsionar o crescimento nos próximos anos. Ainda assim, o BBA acredita que as novas estimativas não condizem com os múltiplos atuais da ação e recomenda venda, com preço-alvo de US$ 162.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados

Fortune Gems Mapa do site