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Fortune Gems - Em 2013, Ibovespa teve pior trimestre desde a crise de 2008; confira os números do ano

Em ano marcado pela forte instabilidade da economia brasileira no cenário internacional, o pessimismo preceu e levou o índice de volta a patamares comuns a 2009 com 8 meses de queda

Marcos Mortari

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SÃO PAULO – Quem acompanha com frequência o desempenho da bolsa brasileira dificilmente se surpreendeu com o fato de o Ibovespa ter fechado 2013 com perdas acumuladas de 15,50%, aos 51.507 pontos. Depois de um primeiro semestre de queda de 22,14% para o índice – pior desempenho acumulado em 6 meses desde a crise do subprime, em 2008, quando despencou pouco mais de 42% na segunda metade do ano -, poucos acreditavam que o benchmark da bolsa brasileira conseguiria reverter o resultado e terminar o ano no campo positivo ou pelo menos estável.

E, de fato, não conseguiu. Apesar de ter ensaiado uma boa recuperação entre julho e outubro, quando conseguiu subir 14,29% e chegar bem próximo do zero a zero, o Ibovespa não conseguiu se desvencilhar do pessimismo do mercado quanto à macroeconomia e o espaço ocupado pelo Brasil na dinâmica internacional em um ano marcado pelas sinalizações cada vez mais claros de reaquecimento dos Estados Unidos e mais tímidos indícios de que a Europa também poderia chegar à antiga estabilidade um pouco mais tarde, enquanto as ambiguidades chinesas afligia os investidores que passaram a apostar nos emergentes como importante fonte de ganhos em um cenário tão adverso que sucedeu o colapso das economias tradicionais.

O aumento da inflação e a impressão geral de que as contas públicas estariam se deteriorando cada vez mais, somados à falta de clareza das políticas adotadas pela equipe econômica do governo Dilma Rousseff, geraram um campo de constantes abalos sísmicos dignos de pôr em estado de alerta até investidores menos conservadores. As incertezas de um ambiente hostil assustaram a população, que, depois de um descanso prolongado, voltou a fazer barulho nas ruas e fazer exigências das mais diversas ordens a fim de mais qualidade de vida em um País que virou símbolo do descaso em várias esferas, sobretudo na política.

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O mesmo cenário que levou a revista The Economist a inverter o sentido do foguete que apontava para um crescimento sem precedentes no Brasil e agora questiona se o País estragou tudo empurrou o Ibovespa para uma queda-livre sem interrupções entre janeiro e junho – só neste último mês, a desvalorização da bolsa brasileira foi de mais de 11%. Em um ano com 3 trimestres de queda acumulada, seria difícil pensar em outra imagem senão a de que 2013 foi um ano que não deixará saudades para quem tentou se aventurar em investimentos na Bovespa – claro, se você foi um daqueles que apostou em uma Kroton (KROT3) ou Braskem (BRKM5), este foi um ano de grandes conquistas; no entanto, para a maioria, o período foi de vacas desnutridas.

Os números do Ibovespa em 2013
Com a queda de mais de 15% no ano, o Ibovespa voltou a patamares que lhe eram comuns em 2009, um ano depois da grave crise que assolou as maiores economias do planeta e aos poucos tem seus estilhaços recolhidos nas ruas de Nova York. Grande parte deste desempenho negativo se deve ao movimento visto na bolsa brasileira durante o primeiro semestre quando o Ibovespa conheceu seu pior desempenho desde o segundo semestre de 2008. Mas, além disso, o índice só conseguiu registrar alta em apenas 4 dos 12 meses de pregão, sendo que o mês de maiores ganhos foi setembro, com alta pouco superior a 4,5%.

Nem no último mês do ano, que costuma ser um período positivo para o benchmark da bolsa brasileira, o otimismo preceu. Em dezembro, o benchmark da bolsa brasileira alcançou sua terceira queda desde 1995, intensificando as análises de que o ano, de um modo geral, realmente não foi bom para quem investiu na Bovespa, ao fechar com variação negativa de 1,86%, marcando uma sequência de 2 meses no vermelho.

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Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do Fortune Gems, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.

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