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De olho na China

O plano da China para tornar-se a líder global em 2050

Maior regulação, abertura de portas para empresas estrangeiras e foco em questões como energia limpa e combate à corrupção: as sinalizações de Xi Jinping em seu discurso na abertura do XIX Congresso do Partido Comunista

Por  Lara Rizério

SÃO PAULO – Eleito o homem mais poderoso do mundo pela revista britânica The Economist, o presidente da China Xi Jinping deu novos sinais de que quer levar o gigante asiático a outro patamar. As falas do líder durante o XIX Congresso do Partido Comunista da China,  considerado um dos eventos mais importante da década, foram observados com lupa pelo mercado e já repercutiram. 

A expectativa é de que Jinping reafirme o seu poder e seja eleito para um novo mandato de cinco anos. Na abertura do Congresso, o presidente chinês advertiu sobre desafios “severos” e delineou o plano para tornar China uma líder global em 2050.

Em discurso de três horas, Jinping defendeu que o governo desempenhe um papel maior na economia, ao mesmo tempo em que reiterou o papel “decisivo” dos mercados. Xi declarou “vitória” sobre “muitos problemas difíceis e antigos”,  defendeu a continuidade em abrir as portas para empresas estrangeiras, defendendo-se contra riscos sistêmicos, aprofundar reforma empresarial estatal, fortalecer a regulamentação do setor financeiro e coordenar melhor as políticas fiscal e monetária. 

Seguem abaixo alguns pontos do que ele falou durante o Congresso – e que podem dar alguns sinais sobre o como ele pretende levar a China a outra patamar em 2050. 

Economia e mercado financeiro

Xi Jinping apontou que quer continuar as reformas para que a China seja uma economia moderna, com maior presença das forças do mercado. O líder chinês também se mostrou favorável a flexibilizar  o acesso ao investimento estrangeiro, abrir os mercados e fortalecer a proteção da propriedade intelectual, pontos que foram expressados pelos principais parceiros econômicos da China, como a União Europeia e os Estados Unidos. 

Além disso, o objetivo das “taxas de juros e de câmbio serem mais baseados no mercado” foi um dos principais pontos de Xi em seu discurso. Durante o evento, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) afirmou que levará adiante a internacionalização do yuan de maneira constante, segundo relatório do PBoC em seu site. O banco central também se comprometeu a aumentar a flexibilidade cambial e manter a moeda estável no sistema monetário global. 

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Ao mesmo tempo em que destacou a importância de ser uma economia moderna, Jinping também defendeu que o governo desempenhe um papel maior na economia. Para ele, deve haver uma macrorregulação confiável e, para aperfeiçoá-la,  Xi sugeriu “dar atenção total às diretrizes estratégicas para planos de desenvolvimento nacional”. Ele também prometeu aprofundar reformas estruturais no lado da oferta, termo utilizado por Pequim para descrever esforços de reduzir a capacidade produtiva, dívidas e estoques de moradias. 

Força do mercado, força das estatais

Xi disse ainda que o governo irá implementar reformas que permitam parcerias público-privadas no setor estatal, de forma a tornar empresas estatais “mais fortes, melhores e maiores”. Ele ainda apontou que o governo irá implementar reformas que permitam parcerias público-privadas no setor estatal, de forma a tornar empresas estatais “mais fortes, melhores e maiores”. 

O líder chinês traçou expectativas para o longo prazo. No futuro mais distante, sua visão é de que a China se torne “um grande país socialista moderno” até meados do século XXI – isso é parte do que ele chamou de “sonho chinês”. Segundo ele, o Partido Comunista se esforçará para promover a modernização socialista até 2035. 

“No momento, tanto a China como o mundo estão em meio a mudanças profundas e complexas”, disse Xi. “A China ainda está em um período importante de oportunidades estratégicas para o desenvolvimento. As perspectivas são muito brilhantes, mas os desafios são muito grandes”, avaliou.   

Desta forma, para 2050, Jinping disse que a China se tornará “uma líder global em termos de força nacional abrangente e influência internacional” com Estado de Direito, empresas inovadoras, um “meio-ambiente limpo”, uma classe média em expansão, transporte público adequado e disparidades reduzidas entre áreas rurais. 

“O povo chinês gozará de maior felicidade e bem-estar, e a nação chinesa será maior no mundo”, disse Xi sobre sua visão para 2050. Ele disse ainda que a China “está se aproximando do centro do cenário mundial”. De acordo com ele,  a China não deve copiar os sistemas políticos das nações estrangeiras, enfatizando repetidamente que o país entrou em uma “nova era do socialismo com características chinesas”. Ele pediu a rejeição da “mentalidade da Guerra Fria”. 

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Entre as iniciativas únicas, está o projeto One Belt One Road, um grande programa de investimentos em infraestrutura que ligará os países da área de influência chinesa.

Meio-ambiente e corrupção

Xi também mostrou maior integração sobre assuntos que estão em pauta no cenário global, como meio-ambiente e combate à corrupção. “Além de criar mais riqueza material e cultural para satisfazer as necessidades cada vez maiores das pessoas para uma vida melhor, precisamos também fornecer produtos ecológicos de maior qualidade para satisfazer as crescentes demandas das pessoas por um meio-ambiente mais bonito”, apontou ele. 

O plano de fundo é: os níveis de poluição em Pequim, capital da China, muitas vezes atingem 10 a 20 vezes o limite de exposição máximo recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Já sobre a campanha anti-corrupção, Xi Jinping destacou os esforços do governo em meio à “luta” que enredou centenas de milhares de funcionários desde 2012 e marginalizou muitos dos seus rivais (o que também é visto com certo ceticismo por muitos observadores, em meio às alegações de que ele poderia estar perseguindo os seus opositores). 

Xi disse que o Partido Comunista se esforçará para transformar completamente o Exército Popular de Libertação em um dos maiores militares do mundo em 2050 e enfatizou a necessidade de modernizar sua capacidade de combate.  

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 Por todos os pontos listados acima, é possível perceber que as metas para 2050 são ambiciosas e que a China aponta para se montar como um modelo único: ao mesmo tempo em que busca maior apoio do mercado, também quer fortalecer as estatais, além de buscar se mostrar um ator relevante no cenário internacional. Cada vez mais, os mercados mundiais estarão de olho no gigante asiático. 

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